De todas as noites, a luz veio de ti. Aí ao fundo, mas aqui tão perto, és a minha torre para o céu, a árvore da vida do além. Tornas-te a cada dia fundamento das minhas raízes pertinentes e quebras a rotina peculiar que, amarga vizinha, dobra a minha sombra nas paredes. És o chão que me leva ao eterno e serás sempre esse atributo de mim, a minha luz brilhante. [obrigado, sempre]
Trocámos um sorriso sem sabermos de onde viemos, nem para onde vamos. Somos capazes de empatia sem razões subliminares, até nos assentos andantes. Quando me cruzo com a multidão, de olhar esguio, e toque frio, Não me sorriem com o olhar, muito menos mo dirigem, pois as pessoas fingem. Estamos todos muito ocupados a sentir a sombra dos túneis, Ou a esgueirar a luz pela janela, nas nossas carcaças ambulantes. Corcundas por ecrãs pequenos, de olhos vendados a tapar a expressão, Quem somos, e qual a próxima estação? É uma boa questão. Talvez pare já aqui, não a seguir, quiçá desvendar novos antigos, E antes da paragem seguinte perguntar, "Será que poderíamos ser amigos?"
Num dia estrelado, foge-me o relógio de bolso. Frívolo, leviano, conta as memórias de um passado esquecido. Subo arduamente o cume dos sonhos, nomeado por sorrisos clandestinos, Talvez perdidos, mesmo com o olhar tremido. Faz-se sentir a campânula robusta, mas gentil, Onde chamo o mundo aos meus pés, num eco estridente. Eis que chega a luz, preciosa e intocável, Num calor prazeroso por mim invocado, nascido a poente. É aqui que proclamo ao tempo as rugas do meu rosto vencido, Escamado pelos ventos de um dia sem fim. E assim sinto os anos sem conta, debruçado nas areias escuras, Onde posso finalmente dormir, pois o céu continuará a rodar sem mim.
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