Mar vermelho
Eis que visito o mar escarlate, nesta vasta maré de rebate.
Navego nas ondas escaldantes, olho de soslaio o horizonte de chamas,
E sinto o calor abrasador no meu rosto, de quando ontem dizias que me amas.
Essa é a estirpe demoníaca que arrasa e destrói o bem do vil,
Que arranca a gravura de uma formosa casa, limpa as lágrimas com farpa, e desfaz a alma de quem é gentil.
E de chumbo e cobre se faz o sangue que corre nas veias de quem se pinta de azul e branco,
Enquanto eu remo contra a corrente, fervente, neste manto.
Por favor, digo eu aos sete ventos, vai embora,
E deixa-me sentir a brisa apaziguada de outrora,
Pois o vermelho sombrio desta luz tremida,
Face ao rumo com vigor, destemida,
Não é mais o que posso declarar, vida.

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