Eu, Universo

 


Quem sabe se eu sou a vida, ou ela eu?
Se imagino as portas que o tempo segurou?
Talvez nem o mundo queira ser meu,
Porque a minha sombra escondeu-se, e definhou.

E ao som dos passos corridos na planície industrial,
Temo sentir que o espaço vazio não é real,
Pois os sentidos separam-se da mente vedada,
E a maré de perguntas já se encontra cansada.

Será que ser, apenas ser, chega-me assim?
Quando estar não serve para ler as linhas tortas,
Neste livro eterno, folheado vezes sem fim,
Onde as marcas do destino estão mortas?

Só sei saber que venho do céu estrelado,
E quero conhecer-me antes de ficar parado,
Pois o escurecer vindouro do meu corpo brilhante,
Não será em vão, e sim a minha nova luz a jusante.

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