Água alada

 


Nas azuis profundas deste mar alado,
Levam os remos a força de um passado amado,
E chovem gotículas de cristal polido,
Não tenham estas águas de palavra nascido.

Aqui jaz a hora de um descanso profundo,
Que há muito se declarou parte do mundo,
Traz com ele um sonho deveras apetecível,
Nas profundezas desta alma de voz imprevisível.

E as águas perguntam ao movimento desta solidão,
Se vai em frente, ou fazer parte da submersa reunião,
Pelo que a coragem declara, a fintar de desdém,
Nem por ti, oceano de jazidos, nem por ninguém!

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