Monte do Adeus
Num dia estrelado, foge-me o relógio de bolso.
Frívolo, leviano, conta as memórias de um passado esquecido.
Subo arduamente o cume dos sonhos,
nomeado por sorrisos clandestinos,
Talvez perdidos, mesmo com o olhar tremido.
Faz-se sentir a campânula robusta, mas gentil,
Onde chamo o mundo aos meus pés, num eco estridente.
Eis que chega a luz, preciosa e intocável,
Num calor prazeroso por mim invocado,
nascido a poente.
É aqui que proclamo ao tempo as rugas do meu rosto vencido,
Escamado pelos ventos de um dia sem fim.
E assim sinto os anos sem conta,
debruçado nas areias escuras,
Onde posso finalmente dormir,
pois o céu continuará a rodar sem mim.

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